História

O Rei D. João V manda construir um Palácio – Convento em Mafra em virtude de uma promessa caso a Rainha, a D. Maria Ana de Áustria, lhe concedesse descendência. Assim, em 1717 iniciam-se os trabalhos de construção do palácio e em 18 de Julho 1744 foi determinada por decreto de D. João V a compra dos terrenos que vão fazer parte da real Tapada, que corresponde a uma expressão da necessidade de autossuficiência do palácio e convento, mas também à necessidade de criar um espaço de recreio venatório da Família Real.

O Rei D. João V e a Rainha D. Mariana de Áustria faziam regulares visitas a Mafra, particularmente nos dias festivos do convento, nos respetivos dias de aniversário, mas também para veraneio, presumindo-se que tenham realizado caçadas na Tapada Real, embora as primeiras notícias a esta atividade remontem a 1750, após a morte de D. João V. No reinado do seu filho, D. José I, a Tapada é regularmente usada pelo Rei e pela Rainha, D. Mariana Victória de Bourbon, ambos aficionados caçadores.

Essencial para a vivência do Real Edifício – Palácio – Convento, a água que o abastecia era conduzida por cerca de 5km desde a Tapada, e provinha de um complexo sistema composto por minas, poços, nascentes, tanques, lagos, aqueduto (aéreo e subterrâneo), reservatórios, fontes, chafarizes e nora, que no final do seu percurso, no Jardim do Cerco, abastece um grande lago de pedra.

Esta grande obra de engenharia foi encomendada pelo Rei D. João V, em 1738, ao Engenheiro Militar Manuel da Maia, tarefa terminada ainda nesse ano. O traçado adapta-se à topografia, rodeando as elevações e aproveitando a força gravítica. Há referências aos diferentes chafarizes e tanques da Tapada, especialmente na transumância que o gado faria durante a época das invasões francesas, atravessando toda a Tapada.

Recuperando parte do esplendor pretendido por D. João V, o filho de D. Maria I, primeiro como regente e depois como Rei (D. João VI), teve em Mafra um dos seus lugares preferidos. Em Mafra estabeleceu a sede do seu governo de regência e manteve neste espaço um lugar de refúgio e de frequentes visitas.

Nos reinados da monarquia liberal a tradição de ir a Mafra para as caçadas manteve-se, recebendo particular atenção por parte de D. Fernando II de Saxe Coburg-Gotha (Rei consorte da monarca D. Maria II), que por sua iniciativa estabelece uma coudelaria.

Carlos I, com sua mulher D. Amélia de Orleães, frequentavam regularmente Mafra, primeiro como príncipes herdeiros e, posteriormente, como reis, percorrendo a Tapada para caçar gamos e javalis ou para pintar, passatempo a que ambos se dedicavam apaixonadamente. É também no reinado de D. Carlos I que se criam vários edifícios de apoio à atividade venatória, nomeadamente a reedificação em 1893 sobre um palacete de construção atribuída a D. Maria I, nos finais do sec XVIII, atualmente designado por “Pavilhão de caça do Rei D. Carlos”, situado na área mais nobre da Tapada Nacional de Mafra, o Celebredo.

Atrás deste, encontra-se um grande chafariz, construído em 1885 tendo sido na mesma época instaladas condutas que permitiram que o Pavilhão de Caça pudesse ser abastecido com água potável.

Com a implantação da República em 1910, a Tapada Real é nacionalizada, deixando de ser domínio privado da Família Real, entretanto exilada.

Durante a Primeira República (1910-1926) e durante o Estado Novo (1926-1974), a propriedade foi usada como reserva de caça, adaptando-se gradualmente.

Em Julho de 1941, a área correspondente à Tapada Nacional de Mafra (833 ha) é entregue à administração dos serviços Florestais e é decretada a criação do Parque Nacional de Caça.

A partir de 1974, a propriedade foi afetada por diversas vicissitudes, originando o seu encerramento ao público.

Em 1985 a Tapada Nacional de Mafra foi classificada como Zona de Caça Condicionada e, em 1992, passou a dispor de uma administração empresarial (Empresa Nacional de Desenvolvimento Agrícola e Cinegético, S.A. – ENDAC, S.A.).

Desde 1998 é gerida por uma cooperativa: Tapada Nacional de Mafra – Centro Turístico, Cinegético e de Educação Ambiental, na qual participam maioritariamente o Estado Português e a Câmara Municipal de Mafra.

Em 1987 a Tapada de Mafra foi considerada Biótopo Corine / Landcover (CLC), que tem como objetivo a produção de cartografia de ocupação e uso do solo nos países na união europeia, e cuja primeira base de dados foi lançada pela Agência Europeia do Ambiente e o Centro Comum de Investigação da Comunidade Europeia.

A 7 de Julho de 2019, o Real Edifício de Mafra, constituído pelos Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra, é inscrito na Lista de Património Mundial da UNESCO.