Património natural - A floresta

A Tapada Nacional de Mafra é coberta por dois tipos de floresta; floresta de proteção e floresta de produção, sendo que esta última é muito rara.

É composta por mosaicos, onde se observam essencialmente árvores folhosas no vale principal e linhas de água secundárias. As áreas de maior altitude são compostas por pinhal; manso e bravo, e áreas abertas de pastagem.

Do estrato arbóreo da Tapada, fazem parte o pinheiro-bravo (Pinus pinaster), o pinheiro-manso (Pinus pinea) e as quercíneas (Quercus faginea e Quercus suber) que formam três grandes grupos, sendo, há já largos anos, as espécies mais abundantes na Tapada. Atualmente, verifica-se a substituição do eucalipto por espécies autóctones. Estão ainda bem representadas espécies como o zambujeiro (Olea europaea var. sylvestis), geralmente com o tronco coberto de líquenes, o carrasco (Quercus coccifera) e o pilriteiro (Crataegus monogyna). Em menor quantidade encontramos freixos (Fraxinus excelsior e Fraxinus angustifolia), choupo-negro (Populus nigra), oliveira (Olea europaea), eucalipto (Eucalipto sp.), plátano (Platanus acerifolia) e salgueiros (Salix atrocinerea e Salix alba). Por último, existem também ocorrências isoladas de castanheiros (Castanea sativa) e azinheiras (Quercus ilex).
Algumas árvores revelam-se muito importantes para a alimentação da fauna silvestre, nomeadamente os pinheiros mansos, castanheiros, carvalhos e sobreiros. Os freixos e os salgueiros são as espécies mais representativas da vegetação ripícola que acompanha as margens dos diversos cursos de água que rasgam a Tapada.
O fruto dos sobreiros e dos Carvalhos, a bolota, é uma importante fonte de alimento para os javalis, gamos e veados da Tapada. Os cervídeos, gamos e veados, cobiçam também os seus ramos e folhas, consumindo-os até à altura alcançada pelas suas hastes.
O pinheiro manso aparece em manchas mais isoladas, sendo algumas delas local de nidificação para espécies como o Pombo Torcaz (Columba palumbus) e a águia-de- Bonelli (Hieraaetus fasciatus).
Relativamente ao estrato arbustivo, verifica-se o predomínio das urzes (Erica spp.) que ocupam quase 80% da área total de matos e que, em determinados locais, chegam a atingir 3m de altura.

Encontram-se também na Tapada, os tojos (Ulex spp.), muito apreciados pela fauna, o trovisco (Daphne gnidium), a murta (Myrtus communis), a aroeira (Pistacia lentiscus) e o sargaço (Cistus sp.) O estrato herbáceo é, maioritariamente, constituído por braquipódio (Brachypodium distichum) e por um feto (Pteridium aquilinum) que ocupa cerca de 33% do solo da TNM.

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Gestão Florestal 

A Gestão de uma Floresta com as características únicas da Tapada Nacional de Mafra, tem de ter em conta que a mesma é um espaço multifuncional que decorre da diversidade de valências presentes, posicionando-se simultaneamente como: Espaço de biodiversidade (dimensão ambiental); Espaço de memória (dimensão histórico-cultural); Espaço de turismo e lazer (dimensão lúdica); Espaço de Investigação e experimentação (dimensão técnico-científica); Espaço de aprendizagem (dimensão formativa).

As ações vão no sentido de respeitar estes princípios devendo sempre salvaguardar a conservação e promoção da biodiversidade que é o principal objetivo definido na Declaração da nossa Missão.

Pretende-se reforçar o carácter conservacionista e apoiar a gestão com esse objetivo, nomeadamente, com a erradicação e substituição das principais manchas de eucaliptais existentes por espécies autóctones, a manutenção de exemplares de sobreiro com cortiça virgem ou não descortiçados há décadas, a promoção de adensamentos/arborizações com espécies produtoras de fruto para alimentação das espécies cinegéticas existentes e a diminuição da área de matos com a arborização com espécies autóctones, preferencialmente, produtoras de fruto para alimentação da fauna existente. Para além destes, será necessário continuar a execução de medidas preventivas de incêndios florestais e mitigadoras do risco da sua ocorrência, com a conclusão e manutenção dos mosaicos e faixas de gestão de combustível definidos.

Defesa da floresta contra incêndios (DFCI)

A Tapada Nacional de Mafra é uma área murada, com uma boa rede viária e que possui uma equipa de Sapadores Florestais. Esta equipa efetua ações de silvicultura preventiva, tais como, limpeza de matos, desrama, desbastes e fogo controlado. No período crítico faz vigilância e primeira intervenção no interior e fora da TNM.

O índice de perigosidade na TNM é elevado, uma vez que, 38,9 % da TNM são matos altos e o relevo é bastante acidentado.

O estudo e análise feita após o incêndio de 2003 onde foi consumido cerca de 70% da área, permitiu adequar ações, pretende-se assim inverter a tendência de regeneração natural das áreas de matos e a sua expansão para outras áreas, especialmente as urzes e fetos, criando descontinuidades que promovam a compartimentação do espaço florestal e, ao mesmo tempo, melhorar as condições para a fauna cinegética e a reconversão das áreas de matos.

Com esta estratégia de mosaico, com zonas prescritas para fogo controlado e zonas sem intervenção, promove-se o efeito de orla que promove várias populações de fauna selvagem; veado, gamo, coelho, perdiz, entre outras.

A Tapada Nacional de Mafra colabora com o dispositivo DFCI municipal, com a equipa interna de Sapadores Florestais vigiando não só a sua área, mas também patrulhando a área envolvente.

Adicionalmente, a TNM dispõe de uma viatura pesada de combate a incêndios, tripulada pelos sapadores florestais da TNM nos dias de maior risco.

A TNM tem também uma estreita colaboração com o GTF de Mafra, em termos de apoio técnico.

Silvicultura Preventiva

As ações de gestão florestal, no que respeita à silvicultura, praticadas na Tapada Nacional de Mafra prendem-se, essencialmente, com a gestão de matos, exploração de povoamentos de eucalipto, pinheiro-manso e pinheiro-bravo.

Desde que a TNM é gerida pela Cooperativa, a área de eucalipto tem vindo a diminuir, devido ao esforço de erradicação de áreas ocupadas por esta espécie que, por serem muito dispersas e de reduzidas dimensões, não eram economicamente viáveis.

É também um compromisso da TNM no  zelo do BEM inscrito como Património Mundial da UNESCO.

Atualmente, as maiores manchas de eucalipto já estão cortadas e serão repovoadas por pinhal manso e medronheiro.

Do pinhal-manso, extrai-se o pinhão e do pinhal-bravo aproveita-se a madeira das árvores mais velhas, com sinais de enfraquecimento.