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Geologia

A Tapada Nacional de Mafra (TNM) compreende uma extensa área de 833 hectares, na qual ocorrem vários substratos rochosos associados a uma evolução geológica rica e diversificada.

A maioria das rochas expostas datam do Cretácico inferior, com uma idade entre os 130 e os 140 milhões de anos. Nesta altura o Planeta experimentava um período de acentuado o efeito de estufa, com uma temperatura média mais elevada que a actual em cerca de 4ºC.  O nível de CO2 estimado seria cerca de 6 vezes o nível pré industrial.

O registo destas condições paleoambientais são evidenciadas nas rochas com rudistas que podemos encontrar a Sudeste da TNM, na região de Pero Pinheiro e que foram utilizadas para na edificação do Palácio Nacional de Mafra. Estas testemunham a existência, no Cretácico Superior, há cerca de 90 Ma, de um mar tropical, de águas pouco profundas, limpas e quentes.

As outras evidências desta época estão marcadas com formações de arenitos, rochas sedimentares provenientes da erosão de granitos de antigos sistemas montanhosos que terão existido em torno da actual região da TNM.

Nestas formações fluviais, denotam-se uma complexa rede de deltas, observando-se várias figuras sedimentares,  leitos argilosos de menor energia alternando com leitos de conglomerados e brechas de alta energia. Nestes, podem observar-se balastros de 5 a 6cm de comprimento cujo transporte requereria uma velocidade da água de mais de 20 cm/s, quase metade da velocidade média de uma caminhada de um adulto.

É ainda evidente na morfologia e relevo da TNM as intrusões vulcânicas; filões e 3 chaminés vulcânicas que ocorreram no cretácico superior entre 83 a 66 Milhões de anos.
Estes episódios vulcânicos fazem parte do denominado complexo vulcânico de Lisboa (CVL) que deu origem a diversos cones vulcânicos entre Loures, Lisboa e Mafra e ao Maciço subvulcânico anelar de Sintra.

As estruturas filoneanas presentes na TNM conferem um relevo distinto pela resistência do basalto à erosão comparativamente com as rochas sedimentares envolventes.

Tendo em conta a abundância de solo e de flora não são visíveis grandes afloramentos, mas o solo proveniente destas intrusões potencia o crescimento mais abundante de massas florestais comparativamente com solos provenientes das rochas sedimentares.

O Ponto mais alto da Tapada Nacional de Mafra com 357m de altitude corresponde a uma das chaminés vulcânicas tendo-se diferenciado das rochas envolventes por séculos e milénios de erosão diferencial.