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Séculos XX e XXI

Séculos XX e XXI

Da Implantação da República até à actualidade

Após as destruição do coberto vegetal de que a Tapada de Mafra foi alvo, durante a 1ª Grande Guerra Mundial, houve um aumento da preocupação com esta área florestal.

Em 1939, é produzido um relatório por José Maria de Carvalho para o Director dos serviços florestais e Aquícolas, referindo que o coberto vegetal da Tapada estaria bastante pobre, dominado por pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e manso (Pinus pinea), eucalipto (Eucalyptus globulus) e plátano (Platanus x hispanica).
Os sobreiros (Quercus suber) estariam todos descortiçados e prejudicados pela vizinhança dos eucaliptos. 
Este relatório refere ainda a existência de poucos exemplares de carvalhos-portugueses, recomendando no final do relatório “a Tapada Nacional de Mafra necessita de um repovoamento quase total”.

A partir de 1939, a 2ª e 3ª Tapadas são entregues à administração dos Serviços Florestais.

Em 1951, Saldanha relata que o carvalho-português (Quercus faginea) e o sobreiro (Quercus suber) nessa altura estariam já bem representados, tendo estes últimos deixados de ser descortiçados, situação que ainda se mantém até aos dias de hoje.

A evolução da distribuição das espécies mais características a partir dos anos quarenta foi a seguinte:
O Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) seria a espécie que se encontrava mais disseminada em 1939, tendo, em 2003, antes do incêndio, povoamento com cerca de 80 a 160 árvores por hectare.
Presentemente, esta espécie está concentrada numa única mancha (Barroca) com cerca de 80 a 100 árvores por hectare;

O Pinheiro-manso (Pinus pinea) tinha vindo a desaparecer em 1939, mas desenvolveu-se em bom ritmo e, em 2003, apresentava densidades da ordem das 80 a 160 árvores por hectare, estando concentrado em duas grandes áreas (Pinhal da Chanquinha e Tojeira).
No presente, esta espécie encontra-se disseminada nas duas áreas referidas, estando em franca recuperação no Pinhal da Chanquinha devido a uma forte campanha de protecção da regeneração natural.

O Eucalipto (Eucalyptus globulus), que tinha vindo a alastrar desde a sua introdução, no início do século XX, encontrava-se, em 1939, com uma população reduzida e, em 1951, teria praticamente desaparecido. A partir daí desenvolveu-se vigorosamente e, em 2003, cobriam uma área de 89 hectares.
Presentemente, podemos encontrar ainda 32 hectares de eucalipto.
Contudo, a política de gestão florestal em curso pretende inviabilizar ou controlar o melhor possível a presença desta espécie, permanecendo apenas até ao seu limite de explorabilidade.
Nas 5 parcelas existentes, estão previstos cortes em diferentes anos, o que significa que a substituição total das mesmas por árvores autóctones (carvalhos e sobreiros) estará completa, sensivelmente, daqui a 20 anos.

A Tapada Nacional de Mafra inclui ainda outras espécies de árvores, apesar de algumas terem quase desaparecido, como o Castanheiro (Castanea sativa) e o Azinho (Quercus ilex).
Outras não só se manteriam, como o Zambujeiro (Olea europaea var. sylvestris) e o Pilriteiro (Crataegus monogyna), como, após o grande incêndio em 2003, repovoam grandes parcelas, fazendo parte de um plano de silvicultura preventiva, Choupo-negro (Populus nigra) Choupo-branco (Populus alba), Ulmeiro (Ulmus minor), Salgueiro (Salix atrocinerea), Freixo (Fraxinus excelsior e Fraxinus angustifolia), Carvalho-português (Quercus faginea) e Sobreiro (Quercus suber).

Para além das referidas espécies arbóreas, podemos encontrar na Tapada um número razoável de espécies arbustivas tendo algumas delas, em 2003, um porte arbóreo.
A gestão florestal levada a cabo por esta Cooperativa tem, por regra, o controlo das mesmas prevenindo-se assim um novo e forte fogo florestal.
Deste modo, continuamos a encontrar cerca de 15 espécies arbustivas com dominância da urze (Erica lusitanica), tojo (Ulex jussiaei), aroeira (Pistacia lentiscus), carrasco (Quercus coccifera), trovisco (Daphne gnidium), entre outras.
“A esta diversidade de mais de duzentas espécies vasculares registadas, acresce ainda um conjunto importante de espécies de líquenes e briófitos.
Em estudo realizado por Manuela Sim- Sim, e ainda não publicados, foram registadas na Tapada, em casca de pinheiros mansos e só em duas parcelas, 8 espécies de líquenes e 5 espécies de briófitos” (Rego, 2006).

REFERÊNCIA:
Rego, F.C. (2006). Tapada de Mafra – Uma história natural. Direcção-Geral dos Recursos Florestais, Lisboa, 83 pp.