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Séculos XVIII e XIX

Séculos XVIII e XIX

Evolução da paisagem desde a construção da Tapada até ao final do século XIX

Em 1747, quando D. João V manda construir a Tapada Nacional de Mafra, as terras ocupadas são descritas como sendo constituídas por casas, terras, serrados, vinhas, tojais e matos.

Para além da Tapada servir como área de plantação de pomares para os frades e para a cultura de plantas medicinais, a vegetação lenhosa terá sobretudo servido para abastecimento do Convento.

Apesar de não existirem provas que o evidenciem, a Tapada terá, logo no seu inicio, sido dividida em três: a 1ª Tapada com uma área de 360 hectares, com forte aptidão agrícola ficou reservada à produção hortícola e área de pastagem; a 2ª Tapada com aptidão florestal para fornecimento de lenhas; e a 3ª Tapada usada essencialmente para a prática de caça. Estas duas últimas têm uma área de 819 hectares. É ainda reservada uma área com 8 hectares, contígua ao Convento com um Jardim, e que ainda hoje existe, o Jardim do Cerco. Os muros internos e os externos têm cerca de 21km.

Em 1778, é pedido pelos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho habitantes do Convento a D. Maria, que lhes fosse dado algum terreno para semear pinhal, pois os consumos de lenhas aumentavam e as árvores da Tapada já não eram suficientes para abastecer o Convento e o Real Colégio de Mafra. D. Maria I permite a cultura de um pinhal numa área ainda hoje chamada de Pinhal dos Frades.

Em 1780, é ensaiada na Tapada a primeira sementeira com sucesso, pois, segundo uma descrição de 1787, Becford refere já a existência de manchas de pinheiro manso (Pinus pinea).

No período de “restauração social do país”, em 1843, Alexandre Herculano refere “há três anos ordenaram Suas Majestades se começasse a desbravar esses terrenos incultos. (…) Além da Cultura feita à custa da Casa Real, vão-se distribuindo aos habitantes da vila de Mafra os terrenos que eles querem desbravar. O inteiro usufruto destes terrenos fica pertencendo por três anos a quem os converte de maninhos que eram em terras aráveis” (Rego, 2006).

A agricultura na Tapada era uma vantagem reconhecida, não só pelos lucros do arrendamento, pela melhoria das pastagens, aumento de povo que trabalhava nos terrenos evitando-se assim “o escandaloso excesso dos caçadores que devassam os muros e matam a caça de todas as espécies.” (Roussado Gorjão, 1838 in Rego, 2006).

Em 1843, Alexandre Herculano refere a existência de “pinheirinhos bravos” como método para no futuro cortar os ventos de noroeste, afim de se plantar árvores silvestres e frutíferas, especialmente de Oliveiras. Há referência da plantação de 650 oliveiras e destas, Roussado Gorjão refere, em 1834, que tinham sobrevivido 361. Compreende-se que haveria já nesta altura algum desenvolvimento da silvicultura.

Em 1840, sob o reinado de D. Fernando, é criada a Real Coudelaria de Mafra que se manteve na Tapada até à sua extinção em 23 de Setembro de 1859. Apesar disso, a primeira Tapada estaria sob administração militar desde 1890.

Apesar de ter sido proposto, em 1911, que a Tapada de Mafra fosse entregue aos serviços Florestais, isso não só não aconteceria, como durante a primeira Grande Guerra (1914-1918) esta é sujeita a uma grande destruição de arvoredos com fins lucrativos.

REFERÊNCIA:
Rego, F.C. (2006). Tapada de Mafra – Uma história natural. Direcção-Geral dos Recursos Florestais, Lisboa, 83 pp.